Hoje a aula foi na rua!

30/09/2019

Na quarta-feira, dia 18 de setembro, meu compromisso não eram as costumeiras reuniões, mas sim acompanhar um grupo de alunos do Ensino Médio num projeto chamado “Carona a Pé” (atividade que fazia parte do Projeto Coletivo do Ensino Médio). E às sete já estava na sala conferindo a presença dos participantes. Ter minha rotina alterada era bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque seria um dia diferente, com menos reunião. Ruim porque certamente acumularia trabalho de outra natureza.

Em sala de aula, minha atenção se voltou para a professora que criou o projeto, que falou sobre direito dos pedestres, área escolar, mobilidade ativa, calçadas, acesso à cidade e como o projeto tem ampliado sua atuação. Depois saímos eu e um grupo de alunos andando pelas ruas do bairro. A proposta do projeto é esta: as crianças vão caminhando juntas para a escola. Traçam-se rotas, estabelecem-se pontos de encontro, e as que moram pelo bairro, conduzidas por um adulto, vão se encontrando ao longo do percurso, até chegarem à escola. Sem trânsito, sem congestionamentos, sem filas duplas.

Já caminhei muito mais pelas ruas do que caminho hoje. Por questões que não vêm ao caso, tive que reduzir essa prática salutar. Mas naquela quarta, saí com meu grupo de alunos pelas ruas do bairro, prestando atenção em más e boas práticas do espaço urbano. Cada cena escolhida deveria ser fotografada com uma placa vermelha, se fosse ruim; verde, se fosse boa.

Incrível a quantidade de coisas que observamos, apesar do caminho percorrido ser bem conhecido! Já começou com a faixa de pedestres implantada pela escola parcialmente apagada por conta de consertos no asfalto… Mas não parou aí: a falta de farol para pedestres em cruzamentos, placas de sinalização apenas para automóvel, postes colocados em áreas que deveriam estar livres para cadeirantes, a ocupação irregular do espaço público com mesas de bares e lixeiras de prédios, o tamanho das calçadas…

Assim, a aula foi na rua, sobre a rua. Cada um que achava alguma coisa interessante parava e comentava com os outros. Em uma esquina onde o asfalto estava pintado de azul com pinos de plástico delimitando a área, nos perguntamos: isso é bom ou ruim? Eu não gostava da necessidade da barreira física, mas uma aluna a julgou importante para a proteção dos pedestres. O que acabou acontecendo, sem nenhuma intenção prévia, foi que passamos pelos prédios onde moravam três alunos e até onde eu mesma moro.

Também havia entre os estudantes quem não era do bairro e, quem morava, contava da padaria, do bar, qual o melhor caminho para se fazer de dia e o para se fazer à noite, para que lado fica a Consolação, a entrada do Mackenzie, o antigo prédio da FAU, o ponto de táxi que perdeu o banco e a cobertura. Será que era irregular? E quem morava em outro bairro, por sua vez, contava quanto tempo levava de ônibus e de metrô, comentava do tempo de baldeação. E foi sugerido: e se fizesse uma parte do percurso a pé?

Entre uma conversa e outra, também encontramos uma acompanhante de idosos do SUS de braço dado com uma senhora, um pedestre agradecido por darmos passagem, cachorros brincando, um ponto de ônibus com o mapa da região e sinalização no chão para deficientes visuais, e o mais belo da paisagem: um ipê-amarelo florido! Pequeno em altura, mas exuberante nas flores, roubando a cena para si. Melhor: depois deste, encontramos outros e mais outros. Amarelísssimos e belíssimos!

Eu, que adoro ipês e suas cores, ainda não tinha parado para contemplar a sua beleza anunciando a primavera. De volta à escola, eu e meus alunos estávamos todos mais sabidos e mais leves. Não porque alguém nos ensinou conteúdos importantes, mas porque percorremos um caminho juntos, aprendendo juntos. E sem a menor sombra de dúvida de que valeu a pena quebrar a rotina!

 

Luciana Fevorini
Diretora Escolar

Hoje a aula foi na rua!

30/09/2019

Na quarta-feira, dia 18 de setembro, meu compromisso não eram as costumeiras reuniões, mas sim acompanhar um grupo de alunos do Ensino Médio num projeto chamado “Carona a Pé” (atividade que fazia parte do Projeto Coletivo do Ensino Médio). E às sete já estava na sala conferindo a presença dos participantes. Ter minha rotina alterada era bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque seria um dia diferente, com menos reunião. Ruim porque certamente acumularia trabalho de outra natureza.

Em sala de aula, minha atenção se voltou para a professora que criou o projeto, que falou sobre direito dos pedestres, área escolar, mobilidade ativa, calçadas, acesso à cidade e como o projeto tem ampliado sua atuação. Depois saímos eu e um grupo de alunos andando pelas ruas do bairro. A proposta do projeto é esta: as crianças vão caminhando juntas para a escola. Traçam-se rotas, estabelecem-se pontos de encontro, e as que moram pelo bairro, conduzidas por um adulto, vão se encontrando ao longo do percurso, até chegarem à escola. Sem trânsito, sem congestionamentos, sem filas duplas.

Já caminhei muito mais pelas ruas do que caminho hoje. Por questões que não vêm ao caso, tive que reduzir essa prática salutar. Mas naquela quarta, saí com meu grupo de alunos pelas ruas do bairro, prestando atenção em más e boas práticas do espaço urbano. Cada cena escolhida deveria ser fotografada com uma placa vermelha, se fosse ruim; verde, se fosse boa.

Incrível a quantidade de coisas que observamos, apesar do caminho percorrido ser bem conhecido! Já começou com a faixa de pedestres implantada pela escola parcialmente apagada por conta de consertos no asfalto… Mas não parou aí: a falta de farol para pedestres em cruzamentos, placas de sinalização apenas para automóvel, postes colocados em áreas que deveriam estar livres para cadeirantes, a ocupação irregular do espaço público com mesas de bares e lixeiras de prédios, o tamanho das calçadas…

Assim, a aula foi na rua, sobre a rua. Cada um que achava alguma coisa interessante parava e comentava com os outros. Em uma esquina onde o asfalto estava pintado de azul com pinos de plástico delimitando a área, nos perguntamos: isso é bom ou ruim? Eu não gostava da necessidade da barreira física, mas uma aluna a julgou importante para a proteção dos pedestres. O que acabou acontecendo, sem nenhuma intenção prévia, foi que passamos pelos prédios onde moravam três alunos e até onde eu mesma moro.

Também havia entre os estudantes quem não era do bairro e, quem morava, contava da padaria, do bar, qual o melhor caminho para se fazer de dia e o para se fazer à noite, para que lado fica a Consolação, a entrada do Mackenzie, o antigo prédio da FAU, o ponto de táxi que perdeu o banco e a cobertura. Será que era irregular? E quem morava em outro bairro, por sua vez, contava quanto tempo levava de ônibus e de metrô, comentava do tempo de baldeação. E foi sugerido: e se fizesse uma parte do percurso a pé?

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